CONTEXTO POLÍTICO E SOCIAL


O CÍRCULO ESCOLAR INTEGRADO DE BATE-PÉ E SEU CONTEXTO POLÍTICO E SOCIAL

O Círculo Escolar Integrado de Bate Pé possui particularidades que o diferencia do conjunto de escolas dos demais povoados da sede.
A região se localiza em meio a caatinga, possui clima seco e temperaturas muito quentes no verão e no inverno, durante a noite, temperaturas agradáveis.
Na época das chuvas, a caatinga se renova, o verde cobre os campos, caracterizados em belíssimas planícies. Mas, falta água e o Rio Ribeirão é perene; a falta d’água fragiliza a economia da região.
É comum os moradores lembrarem os finais da década de 80 e início dos anos 90, onde a região exportava feijão, inclusive para o estado do Ceará. De lá para cá, o clima alterou a vegetação, isso é visível, mas faltou estudo científico que desse respostas contundentes à população.    
No povoado de Bate-Pé, alguns moradores sobrevivem do serviço público, de atividades no comércio, são autônomos ou possuem pequenas propriedades de terras. Os trabalhadores rurais sobrevivem com diárias nas lavouras de mandioca, há ainda os que vivem da aposentadoria, da ajuda de parentes e, sobretudo, àqueles que sobrevivem do trabalho das colheitas de café, para onde vão nos meses de maio à agosto, e, também, há a migração para o estado de São Paulo e as políticas assistencialistas do governo federal, como o bolsa-família, que, embora  irrisoriamente pouco,  ainda é a renda de uma grande maioria. 
De todos os meios de sobrevivência, o café ainda é a melhor saída, encontrada pelas famílias, com o fim expresso de garantir o pão diário dos filhos. Contudo, para o trabalho do café vão também seus filhos. Conseqüentemente, os alunos  abandonam temporariamente a escola e quando retornam, muitos não logram êxitos no estudo. É comum alunos repetirem, em anos seguidos, a mesma série.
Não obstante, a comunidade vem se articulando, criando movimentos organizados, esboçados nos Conselhos e na Associação de Moradores, que se preocupam com os problemas da comunidade, sobretudo, com questões referentes ao âmbito do trabalho e o isolacionismo entre comunidade e poder público.
A associação dos moradores, em outros tempos desarticulada, tenta se reerguer pela iniciativa do novo grupo que, ainda de maneira extremamente tímida, tenta orientar suas ações.
Pela escola tem passado alguns alunos com características à boa liderança, com ética, consciência e postura adequadas, contudo a luta pela sobrevivência tem levado esses meninos ou pra longe ou pra fora da articulação política.
É dentro desse contexto político-econômico, que se insere o Círculo Escolar Integrado de Bate Pé, o que demanda a escola funções mais complexas do que meramente transmissão de conhecimento.
É preciso que a escola ultrapasse o âmbito exclusivo do conhecimento proporcionado pelas matérias disciplinares para a instrumentalização de seus alunos, dando-lhes ferramentas necessárias para que pensados enquanto indivíduos sociais que interfira em seu contexto, este é o grande contributo do Círculo Escolar Integrado de Bate Pé.
Na perspectiva de conteúdos e para além deles, a história da comunidade e seus problemas deverão ser considerados. A escola deverá envolver-se nos problemas da comunidade, sem, contudo, fazer intervenção direta em ações que deverão ser conduzidas somente pelos seus membros. A escola deverá, mediante projetos, envolver os alunos e prestar serviços à comunidade, a assumir responsabilidade social, a partir de uma identidade coletiva. Pensada dentro dessas perspectivas, a escola se torna um agente social capaz de inferir e interferir.
Um dos grandes desafios da escola é o de mobilizar a comunidade, pais – mães, em torno de si. Chamá-los a assumir uma postura de co- responsáveis pelos êxitos e fracassos de seus filhos. É um desafio da escola brasileira, não tão somente nosso, não tão específico da comunidade do Círculo Escolar Integrado de Bate-Pé. Mas, é um problema que nos parece mais agudo, no caso das escolas de zona rural, sobretudo aquelas localizadas em regiões que sofrem grandes estiagens e estão localizadas na zona da caatinga. São comunidades carentes que vivem as labutas do trabalho rural. Envolvidos nesse mundo do trabalho, os pais alegam que não tem tempo de dar assistência escolar a seus filhos, entrega-os a mercê da escola. Pior que isso, por dedicar grande tempo à sobrevivência, não tem tempo para educar seus filhos, ouvi-los.
Por conta de diversas dificuldades, inclusive às de caráter geográfico, tem obstaculizado estreitar relações com a comunidade. Por morar em fazendas distantes, aliado às dificuldades do trabalho, os pais pouco participam das reuniões na escola. Há também àqueles que simplesmente matriculam seus filhos, mas não tem interesse de saber como eles estão aprendendo, ou que problemas poderão estar tendo no espaço escolar.
A escola, portanto, deverá responder à necessidade de transformação social, cuja meta está na preparação de indivíduos politicamente conscientes que formados no espaço escolar deverá sair dela para dar resposta aos desafios historicamente produzidos pela sociedade. E, do ponto de vista metodológico, ao fazer isso, o corpo docente e direção deverá repensar conteúdos, práticas pedagógicas e trazer para dentro da escola os problemas regionais e globais à luz de discussões construtivas.        
Para tanto se faz necessário uma gestão democrática e professores engajados. Uma gestão capaz de canalizar diferenças, somando os contributos diversificados para elaboração de um plano de ação, que trace metas para construção de uma proposta de educação diferenciada.